Viagem à Rússia 2019

 

“Não se pode entender a Rússia pela razão. Não se pode medir a Rússia em metros . A Rússia tem um caráter especial, só se pode crer”. Fyodor Tiutchev

 

 

 

Entramos no território russo de trem pela Alemanha depois de uma viagem de trem de 17 horas, vindos de Berlim, cruzamos a Polonia e a Bielorussia à noite e depois de passarmos a fronteira e entrarmos em Smolenski já sentíamos o clima diferente tanto físico como cultural. Os campos são muito verdes , aliás há muito verde nas paisagens.
O campo russo me causou uma impressão muito forte de conservação, cuidado e paz.
Fora isso um evento anedótico antes de começarmos a viagem, ainda em Roma quando partíamos com Stella de Roma para tomar o trem em Berlim: Ney esqueceu a mala no hotel e teve que voltar para buscá-la depois de já estarmos no aeroporto, quando ele percebeu, o táxi já havia partido. Ainda bem que chegamos com muita antecedência e deu tempo de ele ir buscar a mala e de embarcar.
Outro evento de turistas acidentais foi a viagem de trem até Moscou, na emoção da viagem não percebemos que só Stella recebeu o papel de entrada e nós não e quando chegamos no hotel para fazermos o check in a recepcionista do hotel nos pediu o nosso documento de entrada e não o tínhamos, fomos registrados no hotel com o documento da Stella e a russa nos exigiu até o dia seguinte o nosso também.
Estamos hospedados em um hotel muito moderno ao lado da praça Vermelha, aos pés do Kremlin. A cidade é enorme e impressionante com suas cúpulas douradas e avenidas monumentais, é uma grande metrópole e me surpreendeu bastante.
A estação de trem em que chegamos é incrivelmente limpa e tem um movimento intenso. O prédio da estação parece mais um palácio e de aí partem avenidas amplas e bulevares coloridos por uma montanha de flores das mais singelas como as margaridas às rosas, petunias, peonias e tantas outras, pude constatar depois que as cidades são todas plantadas de flores, os russos têm paixão por jardinagem. Moscou parece uma cidade do Iluminismo francês ampla e portentosa, realmente a capital de um império.

Chegamos, no dia 20 de agosto de 2019, pela a estação ferroviaria de Leningradsky, mais importante das oito estações de Moscou. A Stella ficou deslumbrada com tudo e já saiu tentando ler placas e decifrar o alfabeto cirílico. nas placas e outdoors.


Estação ferroviaria de Moscou.

21 de agosto, quarta-feira

No dia seguinte encontramos com a guia Maria e pedimos que nos ajudasse a resolver o problema da entrada no Departamento de Imigração, mas ela parece que não sabia bem como fazê-lo e afinal não conseguimos. Ela preferiu nos mostrar Praça Vermelha, as igrejas e museus que são espetaculares. Mas o que me impressionou mesmo foi a limpeza das ruas e locais públicos, não há papel no chão, sacos plásticos ou latas de lixo no meio da calçada como no lada ocidental, apesar da horda de turistas que invade a cidade, principalmente chineses.

Na parada do almoço comemos no shopping center Gum que na época soviética era um mercado popular e hoje sedia as lojas de luxo do mundo capitalista e restaurantes de alto padrão internacional.

 

A rua do Gum

À noite, fomos ver o show folclórico, depois de muita confusão da nossa guia trapalhona… Interessante, o show é bonito, colorido e mais importante mostra a diversidade do povo russo: das metrópoles às estepes russas, da Europa à Ásia.

Dia 22 de agosto, quinta-feira

O nosso hotel Kavetiskaya é muito perto do Kremlin e o restaurante do hotel é dirigido por  um chefe italiano que a princípio encantou a Stella, e depois de um dia cansativo como o de ontem resolvemos ficar no hotel à noite e provar o cardápio dele.

Resolver a entrada na Imigração, foi uma chance de conhecer um mundo desconhecido para a maioria dos turistas que vem a Moscou: a burocracia herdada do regime soviético. Entramos e saímos de 3 prédios, nos dois primeiros nenhum resultado, ninguém sabia de nada, no terceiro, (que tinha o característico jeitão de repartição pública), uma senhora nos explicou que o passaporte diplomático não precisa de cartão de imigração.

Saímos aliviados e fomos conhecer a Igreja de São Basílio que é um complexo de igrejas no centro do Kremlin (que quer dizer vermelho ou bonita). São todas lindas, decoradas com ícones dos séculos XV até XVIII, estão todas restauradas e parecem que foram construídas ontem…

Fomos depois almoçar no Gum que é o shopping ao lado do Kremlin. Está dentro de um mercado popular antigo todo restaurado que começou a ser construido na época imperial e só terminado no governo da União Soviética. Sua estrutura foi toda construida em colunas de aço e o teto é de vidro em um estilo que lembra o vitoriano. GUM quer dizer Loja Principal Universal.. E hoje  em  dia é a sede  do  comércio  de  luxo  de  Moscou.  

 

 

 

À tarde,  fomos conhecer os famosos metros de Moscou, verdadeiras galerias de arte, com trabalhos dos melhores artistas russos em mosaicos, esculturas em bronze, mármore, vitral, paredes em afrescos. O tema é  o internacionalismo: a amizade, a cooperação entre os povos, a liberdade, a valorização da mulher, do trabalho e valores patrióticos, muito caros à ideologia da Revolução Soviética…verdadeiras catedrais de educação política através da arte. Além disso, cada estação é absolutamente limpa e iluminada e as pessoas se comportam como se estivessem realmente num museu; caminham silentes e ordeiras, entrando e saindo dos trens sem amontoamentos nem pressa.

Começou a ser construido em 1935 e hoje tem 250 estações e 14 linhas que cobrem toda a cidade num percurso de 365 km. Passam por suas estações mais de seis milhões de usuários em média com pico de nove milhões.

À noite, fomos ao circo, um espetáculo tradicional e muito luxuoso com a participação de artistas de toda a federação russa e estrangeiros, sem contar com animais de passarinhos aos famosos elefantes e tigres asiáticos. Voltei aos meus tempos de menina que só a enunciação de Circo de Moscou já me fazia sonhar.

Voltando no fim de noite, encontramos o Kremlin todo iluminado e um show feérico de luzes por toda a cidade, mais um espetáculo que Moscou nos proporciona.

23 de agosto, sexta-feira

Hoje, fomos ao Mosteiro da Trindade – São Sergio, o centro espiritual da Rússia, fundado em 1345 pelo monge Sergio de Radonej, hoje, padroeiro e o santo mais cultuado de toda a Rússia. As suas relíquias se conservam na Catedral da Santíssima Trindade.

O mosteiro se encontra a 70 km. de Moscou, na cidade de Sergueiev Possad, é composta pela catedral, outras igrejas e um seminario que abriga 300 monges. A catedral da Trindade está decorada com afrescos pintados pelos maiores artistas russos entre eles Rubliev e Daniil Chyorny. Foi uma grande emoção contemplar o ícone pintado por Rubliev, exposto na iconostase da catedral.

 

Almoçamos na cidadezinha ao lado Serguiev Possad, dedicada ao veraneio, povoada de “datchas” (casas de veraneio) e comércio de souvenir. O restaurante em que comemos era muito simpático e bem típico com uma variedade imensa de pratos da região.

Na volta com trânsito pesado, no final da tarde, fizemos a viagem em 2 horas. Descansamos uma hora no hotel e fomos passear na literaria rua Arbat para ver o cenário do livro “Os meninos da rua Arbat”, as lojas de souvenir e jantar. Aqui, se desenvolve a vida turística e boemia de Moscou.

Na volta, assistimos um show de fogos na praça Vermelha, comemorando o Festival internacional de Bandas…mais uma surpresa deliciosa, fomos dormir emocionados.

24 de agosto, sábado

Conhecemos, hoje, o Palácio dos Czares de Kolomenskoie, a meia hora da capital, às margens do rio Moscou. Este é um lugar mítico para os russos, pois aí, nasceu Ivan, o Terrível. Conta-se que seu pai o czar Basilio III,  desejava um herdeiro há vinte anos, quando sua segunda mulher fez uma promesa a Deus que construiria uma igreja no local se Ele lhe mandasse um herdeiro. Assim que o menino nasce o czar manda construir a Igreja da Ascensão em agradecimento.

Considerada uma das maravilhas da arquitetura religiosa, foi construida por um arquiteto italiano em 1534, em tijolo, portanto é uma igreja que rompe com os cánones das igrejas russas, (mais parece uma igreja católica ocidental) que até aquela época eram construidas em madeira sem a utilização de um prego sequer.

Durante algum tempo foi a residência de campo dos czares. Hoje, é usada como centro cultural e seus parques  onde seis carvalhos ancestrais fazem a guarda de um parque, considerado reserva florestal. No verão, além dos festivais e uma massa enorme de turista, o local recebe também barcos que fazem passeios com os turistas e atracam pelo rio Moscou.À tarde fomos dar uma volta de barco pelo rio Moscou para ver a cidade de um novo ángulo, almoçamos à bordo e fomos rever o shopping GUM a pedido da Stella.

25 de agosto, domingo –  SÃO PETERSBURGO

Tomamos o trem para São Petersburgo às 11:30, na estação Leningradisky,no trem bala da SPSAN, companhia estatal russa. A viagem dura 4 horas num percurso de mais de 700 km. Chegamos na estação Moscovsky às 3:40. Uma ótima viagem, o trem é de alto luxo e como fomos de primeira classe tínhamos cabine personalizada…

O motorista da nossa guia Catherina (como não podia deixar de ser, São Petersburgo é a cidade de Caterina, a Grande) estava nos esperando, ao pé da cabine e nos levou ao hotel Herzen House, quase às margens do Neva. Demos uma voltinha ao redor da zona do hotel e fomos jantar no restaurante Strognoff.

Igreja de São Isaque

Stella se deliciou com um potinho de caviar que por aqui também é muito caro.

 

 

 

A cidade tem dimensões muito mais humanas que as de Moscou e guarda um ar século XIX de elegância e cosmopolitismos.

26 de agosto, segunda-feira.

Saímos cedo com a nossa guia, Catherina, a pequena … uma pessoa extraordinária, cheia de entusiasmo e amor pela sua cidade e pelo que faz. Fomos visitar a Catedral São Isaque, praticamente ao lado do hotel, construida no mesmo lugar em que Pedro, o grande, havia construido uma igreja de madeira, em 1710, que logo se deteriorou por causa do clima muito úmido da cidade, construiu-se então uma igreja de alvenaria que o czar Alexandre I mandou substituir por uma construção mais imponente aos moldes europeus mais a altura da importância do seu avô Pedro, o Grande. A igreja que se vê hoje é do século XIX, e foi construida por um arquiteto francês em estilo neoclássico das igrejas da Europa ocidental.

Surpreende ver a mistura de estilos a partir da entrada com o pórtico e a porta principal em madeira entalhada com motivos bíblicos que lembram as portas do Duomo de Milão. As arcadas são todas decoradas com profetas, arcanjos e santos. Dentro a surpresa é maior pois a iconografia é quase toda ocidental, um  vitral de Jesus Cristo, Salvador, decora a iconostase em uma iconografia europeia do século XVIII. Tudo para exaltar a grandeza do czar Pedro e sua fama de vanguardista e europeísta.

Catedral de São IsaqueCatedral de São IsaqueOs czares Romanov estão todos enterrados nesta catedral, todos canonizados pelo patriarcado russo. Fico pensando o que um monge do século IV, martirizado pelos romanos, tem haver com tanto poder e luxo… A catedral é uma síntese do Vaticano, o Panteon e a Basílica de São Paulo e São Pedro em Roma.

A praça da Catedral é um tema à parte. Uma extensa área verde com muitas flores e cores. No centro da praça há uma estátua colossal de Catherina II, a Grande, princesa alemã que se casou com o czar Pedro III. O monumento representa a czarina com seus colaboradores a seus pés, que a ajudaram a dar um golpe no seu marido Pedro III,(um czar fraco e de pouco talento para os negócios do reino) que veio a falecer meses depois do golpe e há os que digam que os amigos de Catherina tramaram o assassinato.

Catherina, a Grande, seguiu as mesmas ideias de Pedro, continuou a europeização da Rússia e expandiu as fronteiras, tornando o império duas vezes maior. Era amiga dos grandes filósofos da época e como iluminista que era comprou a biblioteca de Voltaire (de quem era amiga). Frequentavam também a sua corte Diderot, Montaigne e toda a gama de intelectuais europeus da época com quem manteve intensa correspondência. Além disso, Catherina ampliou também o Palacio de Inverno, onde morou durante toda sua vida, recolhendo aí uma das maiores coleções de arte da Europa.

Museu do Cerco de Leningrado

Fomos depois ao Museu do Cerco de Leningrado, que nos recebeu com a Sétima Sinfonia de Leningrado de Shostakovich, e encheu a atmosfera do museu de uma vibração comovente de emoção e dor, esta foi considerada a música da resistência do povo russo contra o cerco que durou 900 dias. Conta-se que quase no final do cerco em 1942 o governo organizou um concerto da Sinfonia, mas não havia músicos suficientes, a maioria havia morrido na frente de batalha e de fome, então o governo mobilizou toda a população para divulgar que os músicos  que se apresentassem para o concerto, o governo daria ração extra de comida. E assim se formou um grupo de 15 músicos que executaram na rua a Sétima Sinfonia, dedicada ao cerco de Leningrado. Até hoje, a sinfonia tem um significado heróico e profundo na alma do povo russo.

O museu está localizado no centro histórico da cidade e conta em estilo épico e muito bem documentado o ataque à cidade na Segunda Guerra Mundial pelos nazistas, que provocou a morte de um terço da população civil da cidade de fome e frio.

Hitler escolheu São Petersburgo para o cerco porque ela tem um valor simbólico de berço da Revolução Soviética. Quase três anos, o povo lutou e resistiu bravamente aos ataques nazistas, o que os cientistas políticos consideram um verdadeiro milagre. As mulheres tiveram um papel importantíssimo na resistência,  buscando e fornecendo o pouco de comida que se conseguiam para o povo e os soldados soviéticos, além de trabalharem nas fábricas de armas.

O museu conta com um grande acervo de objetos, fotos, cartazes e livros que contam a bravura e a vitória do povo soviético.

 

 

 

 

 

 

À tarde, fomos ao monumental  Palácio de Verão dos czares, construido por Catherina I, apesar de ser associado a Catherina II, a Grande . O palácio é um complexo arquitetônico monumental que sofreu muitas mudanças desde sua construção no inicio do século XVII. As maiores delas ficaram por conta de Catherina, a Grande, que pretendia que ele se rivalizasse com Versaille, se bem que a czarina Isabel, antecessora de Catherina II também tivesse embelezado e abarrotado o palácio de preciosidades da arte decorativa e cobrindo as estátuas do jardim com 100 kg de ouro…

A 30 km de São Petersburgo, em Pushkin, o Palácio é uma verdadeira jóia da arquitetura neoclássica.

O palácio foi completamente destruido pelos nazistas e reconstruido pelos soviéticos nos menores detalhes. As peças de decoração desde as estátuas monumentais do jardim até a louça e objetos de arte foram escondidas e protegidas pelo povo e depois que os nazistas foram vencidos foram outra vez restauradas e recolocadas no mesmo lugar…Ele  é  considerado  a  oitava  maravilha  do  mundo.

Palacio de Verão

Almoçamos em um restaurante típico nos arredores de Pushkin, onde, dizem, é frequentado por Putin…

27 de agosto, terça-feira

Museu Hermitage

O Museu Hermitage, um dos maiores do mundo, abriga uma das coleções de arte mais completas da Europa. Fica no centro da cidade de São Petersburgo e conta com três millones de piezas exibidas em 400 salas.

Fundado por Catherina II, funciona no Palacio de Inverno dos czares que foi construído em 1732. O Museu foi fundado em 1764 e é tão extenso que é necessário de 3 a 4 horas para visitá-lo. Aí estão obras famosas como o retrato de Catherina II, o Filho Pródigo de Rembrandt, obras de Murilo, Leonardo, Rafael, peças arqueológicas, livros raros e arte decorativa, inclusive uma sala toda coberta de âmbar.

retrato de Catherine II

Além de realizar um sonho de muito tempo de conhecer o Hermitage e admirar de perto o quadro do Rembrandt “O Filho Pródigo”, tive uma experiência lindíssima em frente ao quadro numa conversa incrível com a Stella sobre arte e o sentido da vida.

Afinal, passamos todo o dia no Hermitage e voltando para o hotel demos uma passada na casa sede dos sovietes, no Palacio da bailarina Kshenskaya,( amante do czar Nicolai II), onde se reunia Lenin e os congressistas para preparar a revolução de 1917.  Do  balcão

deste palácio Lenin proferiu os discursos do início da revolução. Hoje é o museu da história do século XX russa e da União Soviética (antes Museu do Comunismo).

 

Desta janela, Lenin, proferiu seus famosos discursos de conclamação dos sovietes.  



28 de agosto, quarta-feira

Fomos ver o Palácio Moika ou Casa Yusopov, onde a corte russa tramou o assassinato de Rasputin. A sala subterrânea do palácio onde se reuniram com Rasputin no dia do assassinato está decorada com a cena da trama com os personagem representados em cera. Surpreendente e convincente…

teatro privado da Casa Yusopov.

 

29 de agosto, quinta-feira

Começamos o dia do aniversário da Stella com a visita à igreja da Ressurreição, a famosa O Sangue Derramado, porque o czar Alexandre foi assassinado em uma emboscada neste local, onde depois foi erguida a igreja. É uma construção cheia de ouro, como de resto tudo que foi feito até a queda do czarismo. .

 

 

 

 

 

Afinal, fomos comprar lembranças num passeio no subúrbio da cidade  e a Stella se esbaldou. Fomos a um mercado enorme com artesanato de todos os cantos da Rússia. Eu ganhei de Ney um pequeno ovo Faberger… com colar e brincos iguais.

Fomos depois a Igreja da Dormição de Nossa Senhora e depois fomos ao Palácio de Paulo, o feio, na periferia de São Petersburgo e voltamos já na hora do “jantar de gala” do aniversário de Stella, num restaurante de época soviética, com tudo absolutamente preservado, foi como entrar num túnel do tempo: o Tsentralny que fica ao lado do prédio, onde funcionam oficinas da prefeitura da cidade. Houve música ao vivo de época: jazz, bossa-nova, rock e uma sessão de slides com cenas do tempo soviético.

O melhor foi ver a Stella radiante com a sua comemoração.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

30 de agosto, sexta-feira

Nos despedimos de São Petersburgo dando uma volta às margem do rio Neva e à tarde voamos para Roma.

Tristes de deixar a Rússia.

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Tentar recomeçar sempre, mesmo depois de dois anos. Escrevi nada, mas estive conectada com outros amores/atividades: cerâmica, fotografia, Yoga.

Conto depois quando refizer minha escrita no blog.

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Lógica do coração

 

No evangelho de  Mateus (14, 13-21) nos mostra que o individualismo e  a indiferença, o egoísmo   sempre foram a lógica humana, descrevendo a sugestão dos que estavam em volta de Jesus quando escureceu e a multidão não quis se afastar dele, e os discípulos sugeriram:

“Manda embora toda esta gente, para que vá às aldeias comprar alimento”.

Estão aí presentes as duas atitudes básicas da humanidade até hoje: uma a que exclui, rejeita e abandona, e a outra a que acolhe, cuida e ama: a que Jesus ensinou e ainda permanece em muitos, a que Francisco nos exorta todos os dia a aceitar e seguir:

“Não precisam de se ir embora; dai-lhes vós de comer».

Disseram-Lhe eles: «Não temos aqui senão cinco pães e dois peixes».

Disse Jesus: «Trazei-mos cá».

Ordenou então à multidão que se sentasse na relva. Tomou os cinco pães e os dois peixes, ergueu os olhos ao Céu e recitou a bênção. Depois partiu os pães e deu-os aos discípulos e os discípulos deram-nos à multidão.

Todos comeram e ficaram saciados. E, dos pedaços que sobraram, encheram doze cestos”.

A lógica de Jesus é a diametralmente oposta a dos que até hoje seguem mandando os barcos dos refugiados que tocam terras europeias embora, dos que erguem muros para proteger suas cidades cheias de violência, do egoísmo e do consumismo, dos que humilham e dividem as próprias comunidades entre ricos e pobres, brancos e negros, nativos e estrangeiros, homens e mulheres e tantas outras etiquetas que vivem colocando nos seres humanos.

A lógica de Jesus é da “reunam-se todos, cuidemos de todos, acolhamos os mais frágeis, ajudemos os mais necessitados, recebamos os que sofrem e curemos os doentes, consolemos os que sofrem, abençoemos e oremos por todos”. Não há mais lugar, depois de dois mil anos para transformar seres humanos em objetos e a natureza em fábrica de produção em série de recursos para as nossas exageradas e inuteis necessidades que fazem de tudo e transformam tudo em lixo.

Pensemos pela lógica de Jesus que até o que sobra ele abençoa e cuida, conserva para a nossa eterna necessidade de misericórdia e compaixão.

 

Exeriencia  para lá de positiva

Gosto de gente e o que mais me enriquece na vida de “eterna exilada” como dizia o poetinha Vinicius de Moraes, é conhecer gente nova e nova gente.

Comunicar e interagir com outros povos, aprender novas línguas, conhecer novos costumes e virar de cabeça para baixo o modo de pensar e ver a vida  é para mim o maior aprendizado que posso levar do mundo, e isso só a vida  no exterior me tem dado e isso só aqcontece se se está inserida em outra cultura, convivendo com outras gentes, compartilhando o dia adia, o que nenhuma viagem de turismo pode proporcionar.

São tantas as experiencias que poderia escrever vários livros se pensar nos 10 paises que vivi e em tantos anos de vida como expatriada.

Nosso primeiro posto foi a Guatemala, uma cidade linda e um povo doce e sofrido como tantos. Ali vislumbrei pela primeira vez a história ancestral dos povos da América Central e me deslumbrei conhecendo o sitio arqueológico de Tikal, construida pelos Olmecas, Mayas e Azteca nos albores da prineiro século da era cristã, também eles construiran uma arquitetura  monumental e foram grandes sábios, escreveram uma epopeia de suas lutas e conquistas o Popol Vohl e, inventaram o famoso calendario maya, já conheciam noções de medicina e cirurgia e eram grandes artistas.

Em Montevidéu, nosso segundo posto, tivemos uma linda experiências com os colegas, formamos uma turma de amigos que perdura até hoje: amigos na embaixada e amigos no país.

Essas e tantas outras estórias fazem parte de uma vida que agora me enriquece de memórias que voltarei a contar.

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Paisagem Íntima II

Paisagem Íntima II

O mar tem a doçura do rio

O rio a impetuosidade do mar

Juntos, em paisagem única, dançam vagarosamente

Nas duas margens dos pampas: tango, murgas, candombes e milongas,

No caldo mestiço dos tempos, choram no bandoneon as dores da paixão,

Nos tambores do candombe as alegrias de estar juntos,

Nas vozes da murga a chamada para a vida,

e na malemolência da milonga a picardia de simplesmente ser,

comemorando cada fim de dia um por de sol novo,

uma lua cheia que se arredonda no horizonte,

iluminando um ritual quase religioso nas caminhadas da rambla,

“montevideando” com mate e termo um jeito especial de viver.

las cosas que veo en Montevideo

las cosas que veo en Montevideo

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Casa Paterna

Guardo na memória a casa de minha avó paterna.

Na rua estreita que vai dar na praia.

Estava ali plantada em pedra cinza e áspera,

muro baixo e um pequeno portão de ferro que

dava numa entrada exígua e de chão empedrado.

À frente se elevava alta a fachada, protegendo a casa dos olhares curiosos. Não se via porta nem janela, só a parede de pedra cinza, escondendo tudo.

Um corredor escuro que dava  passagem para o interior da casa desembocava na varandinha, onde vovó nos recebia aos domingo, na sua cadeira de balanço:

-Bença, vó

-Bençoe, filha

No fundo desabrochava o mistério; um jardim de verdes e flores multicoloridas que a tia plantava, colhendo mudas na rua.

No quintal: abacateiro, romã, alecrim, alecrim e a  alfavaca que temperava o bife que até hoje me faz voltar a infância pela memória gustativa, é a minha “madaleine”.

Tinha também o moleque Vanderlei, lembrança dos tempos da fazenda no interior de onde saiu vovó e os seus filhos para vencer na cidade grande.

A casa pertinho da praia, imagino, foi o primeiro encanto.

A família acabou de crescer lá. Nas reuniões de domingo, os netos chegando, as festas de fim de ano, os móveis antigos, os estudantes de medicina companheiros de meus tios, que vinham de fora a viver na pensão da vovó e estudar.

Depois foi o adormecer dos mais velhos e a casa virando relíquia,

O abandono…

A incorporadora… o prédio de mármore e vidro fumée subindo pretensioso2014 Montevideu 052…e restou só o nome da minha avó em letras grandes e douradas à entrada acarpetada do prédio na rua estreita que vai dar na praia.

 

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Travel log – China 2014

Grande Muralha, Pequim, Xi’an: guerreiros de terracota.

 

“Waves rise when the wind blows and wild geese fly in line in the sky”.

Two thousand later the Silk Road is a track in the sky…

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Pequim 23/12/2014 Terça-feira – Véspera de Natal

Chegamos a Pequim às 12:00 depois de um voo de 4 horas, vindos de Manila pela Philippines Airlways.

Fomos recebidos pelo guia Jason (geralmente, os asiáticos adotam um nome ocidental, de preferência inglês, o verdadeiro nome dele é Liu, acho muito mais original) no aeroporto, onde já pudemos constatar a grandiosidade da China, o aeroporto é uma construção grandiosa, espalhada a oeste de Pequim.

A cidade nos supreendeu à primeira vista, ao contrário do que imaginávamos, a cidade tem avenidas largas e edifícios baixo, mas enormes, resquícios da tradição construtora de Pequim de que era proibido construir mais alto que a cidade proibida que é toda horizontal.

Isto torna a cidade aprazível e humana, apesar dos volumes massiços dos prédios, já existem arranha-céus, mas na parte sul da cidade e em alguns bairros afastados.

Ficamos muito bem localizados bem no centro de Pequim na zona da praça Tianamen, na Wangfujing uma rua comercial de pedestres.

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Descemos depois do almoço para dar uma olhada e logo no começo da rua, quem diria… encontrei a igreja de São José, aberta, decorada para o Natal e toda iluminada, aliás como a cidade inteira, pricipalmente as ruas comerciais.

Logo na esquina escontramos um shopping center enorme para a alegria do Ney que chegou a China com a ideia fixa de comprar um I Pad na Apple, que ele não havia achado em Manila. No tal shopping a primeira loja enorme era a da Apple. Ele ficou deslumbrado quando o vendedor atendeu em um bom inglês e conseguiu vendê-lo em poucos minutos tudo o que ele buscava.

O céu já estava azul, a tarde estava linda, apesar de fria, nem vestígio da terrível poluição que todos criticam em Beijing. Tirei umas fotos das ruas e do comercio, e fomos com o guia ver um show de acrobacia no Teatro dos Trabalhadores, chegamos atrasados, pois o trânsito em Pequim é tão intenso quanto nas outras grandes metrópoles, mas bastante ordeiro. Não há o caos de Manila ou Hanói e Pnon Phem.

IMG_8861Saímos do teatro e fomos comer em uma zona tradicional de vida noturna, cheio de bares e restaurantes, do lado do hotel e vimos o Night Market, em Donghuamen, onde as barraquinhas de comida se enfileram na rua, iluminadas com as famosas lanternas chinesas, aí se come de tudo: peixes, espetinhos de escorpião e de cavalo-marinho, siao pao, macarrão de todos os modos, pato (pato nacional da China) laqueado, e como dizem eles “tudo que se mexe, é comestível”.

Nós jantamos em um restaurante, onde o guia fez descer três tipos de carne para que apreciássemos a culinária chinesa: carne de frango de porco e de boi, todos muito gostosos e com o toque da cozinha chinesa agridoce.

As primeiras impressões de Beijing foram as mais positivas possiveis.

Grande Muralha 24/12/14   Quarta-feira

 

Mutianyu Gate – Grande Muralha

A viagem de Beinjing a entrada de Mutyaniu leva 1:30 hora de carro, passando por estradas vicinais na zona rural: plantações de pera, maçã e pêssego.

O tempo ajudou e o céu estava de um azul claro intenso e brilhante. Tudo é majestoso na natureza, apesar do inverno que desnuda as árvores e a paisagem. O frio também é intenso.

A Muralha é imperiosa na cena, dá a impressão de que aqui já nasceu tudo grande. A Muralha foi construida ao longo de 2 mil anos. O imperador Qin Shi Huang, primeiro imperador da dinastia Qin, unificou a China e iniciou a construção da Muralha em 259- 210, para barrar a invasão de povos nômades. Ela tem, atualmente, 5.000 km. E foi muito restaurada desde então.

Apesar dos ataques, o tempo, as pilhagens, para não mencionar a invasão turística da idade moderna, terem causado o desabamento de dois terços da muralha, novas seções têm sido descobertas até hoje.

Os acessos, hoje, disponiveis aos turistas são quatro: Badaling, Mutianyu, Jinshanling e Simatai. O mais recomendável pela beleza cênica e conforto para a subida é Mutiannyu, mas quem quiser aproveitar para ver as tumbas da dinastia Ming deve visitar a de Badaling que está no caminho delas.

Chegamos na Muralha por Mutianyu, na entrada do parque um passarinho nos deu as boas-vindas e fomos logo descobrir a beleza natural do lugar. Tivemos sorte porque no inverno poucos são os turistas e pudemos curtir à vontade.IMG_8773

 

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Fizemos fotos de todos os ângulos e Ney fez até um vídeo com narração em chinês em inglês de apresentação da Muralha.

Saímos extasiados e fomos almoçar no parque da Muralha, havia poucos turistas chineses, e um grupo de italianos.

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Voltamos à tempo de dar mais uma volta pela rua de Wanfunjing e ir à casa de chá Lao She, a mais famosa de Benjing, para a cerimônia do chá, apresentação do teatro de sombras, mímica, o show de bonecos e a mudança de rostos da Ópera de Sichuan. Um verdadeiro show da cultura chinesa milenar.IMG_8864IMG_8907

 

 

 

 

 

 

 

Cidade Proibida 25/12/14 Quinta-feira

Google e Face Book não entram na China… Quanta sabedoria!!

Eles entraram no mundo contemporâneo sem matar a cultura tradicional. Em termos de comércio há de tudo de Prada a McDonals, de Mercedes Benz a hikshow, mas a bicicleta, poucas, ainda resistem nas avenidas largas da moderna Beijing.

A Praça Tianamen é uma belezura, composta de monumento aos heróis da revolução com direito a mastro com a bandeira vermelha e retrato gigantesco do Mao Zedong, o Grande Timoneiro. O culto à personalidade é um traço atávico dos chineses, antes eles cultuavam os imperadores como deuses, como os imperadores acabaram por disputa de poder, eles puseram o Mao, que fez da China uma potência moderna. A revolução cultural revogou o culto à personalidade e o Grande Timoneiro ficou sozinho nos umbrais da Cidade Proibida.

A cidade Proibida está na frente da praça, completando o cenário arquitetônico edifícios massiços abrigam os ministérios e o Museu Nacional. Ela é o maior complexo construído do mundo com 800 prédio e 8000 salas. A harmônia da arquitetura e o equilíbrio dos espaços, apesar da grandiosidade, emana serenidade e elegância única, tudo inspirado no Feng Shui. Os tetos de telhas vitrificadas douradas e a decoração em verde, vermelho, azul e amarelo em motivos geométricos, florais (a peônia é a flor nacional) e faunísticos (o leão, o dragão, a garça, a tartaruga, essas últimas símbolos da longevidade)dão aos espaços uma cenografia portentosa.IMG_8928  IMG_8963

 

Separando os palácios da cidade há um muro e um fosso, onde passa o rio Dourado, congelado nesta época do ano.

A cada entrada dos palácios se vê um leão macho e um fêmea. Ela tem sobre a pata esquerda uma esfera símbolo do poder e ele, sobre a pata direita, um filhote símbolo da fertilidade.

As rampas de acesso aos palácios são decoradas com imensas placas de mármores entalhados com figuras de dragões, símbolo de realeza e a peônia.

Os pátios estão decorados com enormes vasos recoletores de água, que no inverno, eram aquecidos.

A cidade começa na Porta Meridiana que se abre para dentro do Portão da Suprema Harmonia, e o pátio principal onde se celebrava a grande cerimônia de ascensão ao trono e os terraços.

A seguir, a entrada do palácio da Suprema Harmonia, modelo clássico do ambiente chinês. Nesse hall está a sala do trono, pintada de dourado e decorada com dragões.

IMG_8979Em seguida, vem o hall da Harmonia Central e o terceiro hall, o da Harmonia Perseverante, aí está a sala do trono principal, onde se filmou as cenas do filme de Bertolucci “O Último Imperador”. Depois é o palácio da Pureza Celestial, onde, até o século XVIII, o imperador vivia e era a parte masculina do palácio.

Depois, o palácio da Tranquilidade Terrestre e os jardins imperiais, onde se pode tomar chá em uma das casas de chá.

À parte, os halls e salas do trono há também a ala de palácios secundarios: o do Cultivo Mental, o da Longevidade Tranquila, e tantos outros para a numerosa corte do imperador e a centena de concubinas.

Atualmente, dentro dessa imensa área há também restaurantes e lojas de souvernir, o museu do Relógio que vale a pena a visita.

À tarde, estivemos na feira de antiguidades de Chaoyang, o mercado de Panjianyuan que tem de tudo um pouco, mas principalmente porcelana, joias e “mirabilia” da época da revolução.IMG_9100

 

 

 

 

 

 

 

IMG_9134Xi’an 26/12/14 Sexta-feira

Chegamos a Xi’an e o nosso guia, Tom, estava nos esperando no aeroporto, lá mesmo comemos e fomos para a cidade conhecer as muralhas medievais da cidade e o templo tibetano da Graça.

Fazia muito frio e o tempo estava encoberto, mesmo assim a cidade nos surpreendeu: limpa, imensa, uma metrópole. Xi’an foi a primeira capital da China, no século IIIAD, construida pelo fundador da dinastia Hang, atinge seu apogeu na dinastia Tang no século VII.

Ficamos hospedados no Hotel Península, na praça central de Xi’an em frente as entrada principal da cidade medieval, uma vista esplêndida. IMG_9180

 

 

 

 

No templo da Graça vimos a pagoda do Grande Ganso Selvagem que abriga um cemitério com “stupas” de mais de três séculos. Esse templo foi construido no século VIII para abrigar uma coleção de “stelle” que vieram da India com ensinamentos budistas. A preciosa coleção de documentos hoje está no museu Nacional de Xi’an. A pagoda é muito famosa porque desde o terremoto do século XVI ela está um pouco inclinada para a esquerda.IMG_9152

É aqui que começa a Rota da Seda, no século XI que vai chegar até o Mar Mediterrâneo.  

Jantando à noite no restaurante do hotel com turistas chineses , observamos que o país é multicultural e que a classe operária “foi ao paraíso”, que Mao Zedong fez de uma sociedade feudal pular para o século XXI em 50 anos. Se bem-estar e desenvolvimento se mede pelo número de carros e nível de consumo: esse país é um dos mais civilizados mundo.

 

Os Guerreiros de Terracota 27/12/14   Sábado

Começamos nossa visita pelas termas de Huanqui, onde o imperador ShiHuang Di e sua concubina favorita passavam o inverno e viveram uma bela estória de amor. Conta a lenda que a beldade era nora do imperador e por isso foi condenada a morte, pelo próprio, pois a sua corte estava descontente com a situação.

O complexo termal é cheio de fontes e piscinas. Aí também se abrigou Shan Kai Shec antes de peAlmoçamos em um “paladar” ,perto do sítio arqueológico dos guerreiros de terracota, que nos comentou o guia, é da família do camponês que achou o mausoleu em 1974. Parece que há muitos parentes desse camponês por aqui que vivem da mesma atividades, pois há uma grande variedade desses restaurantes particulares, licenciados pelo governo.rder o poder para os comunistas.IMG_9198IMG_9187

 

 

 

 

 

 

Eu e o guia no paladar nos aquecendo num aquecedor tradicional.IMG_9215

 

 

 

 

O Mausoleu de ShiHuangDi

O Mausoleu, onde estão enterrados os guerreiros de terracota, foi construído na mesma época da Grande Muralha, pelo imperador ShiHuang Di, até agora foram encontrados mais de 7000 guerreiros, duas esquadrias puxadas por cavalos de bronze, além dos cavalos de terracota encontrados junto aos guerreiros.

Os sítios arqueológicos dos guerreiros de terracota estão situados num complexo de três prédios, que abrigam os guerreiros, o museu e a loja de souvenir.

O exército é feito em barro, em tamanho natural, apesar de terem sido feitos com moldes, os rostos variam em expressão e traços, e as figuras estão em poses diversas, assim como os cavalos. Há soldados de todos os escalões, desde simples guerreiros até comandantes. Descubriu-se, há pouco tempo, que eram coloridos com pigmentos naturais.

É comovente olhar para aqueles homens de barro paralizados em diversas posições de combate por mais de 2 mil anos, expressões e rostos, cada um diferente do outro, pois o imperador queria que o seu exército fosse o mais realista possível.IMG_9232IMG_9252IMG_9268

 

O mais irônico é que o imperador morreu inesperadamente, antes que se terminasse a obra. Pouco tempo depois, houve uma revolta dos escravos que trabalharam no mausoleu destruiram e incendiaram a tumba.

Interessante é que na loja de souvenir, o camponês que achou os primeiros indício do mausoleu, passa toda a manhã assinando o livro sobre o sitio arqueológico. Há também uma sala de cinema que recria a história do mausoleu de Xi’an.

Finalmente, depois de 2 horas de visita, (que não é muito) voltamos em tempo para IMG_9283IMG_9279assistir um show de música tradicional da dinastia Tang, no Teatro Shaanxi de Ópera de Xi’an, e visitar as torres dos Tambores e dos Sinos na cidade medieval. Um belo espetáculo de elgância e cultura .

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Equilibrista: Circo da Vida

Para o Advento Equilibrista:Circo da Vida

A maioria escolhe ser palhaço: a mais nobre profissão do circo.

Eu escolhi ser equilibrista no Circo da Vida,

Talvez por ter nascido triste me foi negado o protagonismo circense do palhaço. Fui ser equilibrista.

Apurei o senso estético na esperança de ser bailarina, mas não foi suficiente, faltaram-me disciplina e talento.

Depois, tive a ilusão de ser poeta, mas é preciso muita coragem, desisti, fui covarde.

Graduei-me em jornalismo, mas estávamos vivendo numa época escura e os jornalistas precisam de luz para escrever…

Assim, entre luz e trevas, tempo de censura e ânsia de liberdade e justiça, dei um salto mortal e voei para o outro lado do Circo. Equilibrista, aprendi a estar atenta ao momento,

salto sem redes na afetividade,

vigio à porta do infinito,

plaino pendurada por um fio na distância,

rodopio no tempo e no vento da minha vida,

solta na dança livre da solidão.

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Bali

Bali, no 43° aniversário de casamento.

Chegamos a Bali pela Cathay Airways no dia 25 de setembro, às 17:30 depois de uma viagem que começou às 9:00 da manhã em Manila, com escala em Hong Kong. Valeu a pena!

Hospedamo-nos no hotel Amarterra, da cadeia Arcor na parte sudeste da ilha, em NusaDua.

Às oito fomos jantar fazer um jantar romântico no restaurante Ma Joly, à beira-mar, nas areias da praia.

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Estava tudo delicioso. Voltamos para o hotel cansados, mas felizes.IMG_7861

 

 

 

 

 

 

No dia 26 tomamos café da manhã no hotel e podemos perceber, então, que o Benjie acertou em cheio. Eu pedi um hotel “quiet and charming” e foi justamente isso que encontramos; um verdadeiro paraíso.

O hotel é composto de “villas”, na concepção italiana: quarto, banheiros, sala de estar, uma ducha ao ar-livre. No jardim há um gazebo, em frente uma piscina alimentada com águas de três fontes, decorada com três pés de cajá-manga cada um de uma cor margeando a piscina que perfumam todo o ambiente.

O quarto espaçoso e decorado com muito bom gosto há dois ambientes; um com a cama de casal enorme e, dando para um jardim interno chuveiros e um jacuzi. As águas que circundam o quarto cantam o tempo todo, a vegetação do jardim e de todo o hotel é luxuriante, ouve-se pássaros, esquilos brincam nas mangueiras, canangas, coqueiros, ibiscos, bambus, jambos, carambolas, e centenas outras árvores frutíferas e decorativas.IMG_7967

 

 

 

 

Tudo é harmonioso sem a simetria pouco criativa dos hotéis de luxo. Os espaços são salpicados de fontes e espelhos d’água, e todas vão dar nos caminhos que marcam a entrade e saída dos quartos. Um paraíso dentro de uma ilha paradisíaca.IMG_7881

 

 

 

 

 

 

Depois do café, fomos visitar o templo de Uluwatu e Garuda Wisnu Kencana, a maior estátua de Wisnu de Bali, uma obra monumental que ainda não está terminada. No pátio do complexo vimos um show de danças tradicionais com uma pequena orquestra. IMG_7916IMG_7909IMG_7921

 

 

 

 

 

 

 

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À tarde, voltamos para descansar no hotel pois tivemos uma noite cheia com jantar típico de pato crocante (cozinha típica da ilha) e um show de dança tradicional e moderna no teatro de Nusa Dua

com a companhia de dança Devdan. No cenário havia um pouco de todos os elementos da natureza: água, fogo, terra e as acrobacias de ar. Um espetáculo

No dia 27, sábado, fomos ao interior da ilha ver as vilas de artesãos de prata e ouro, madeira, demos uma volta pelo mercado nas ruas centrais de Ubud e almoçamos no restaurante Babi Guling Ibu Oka especialista em cozinha balinesa.IMG_7997

 

 

 

 

Terminamos o dia no hotel Pan Pacific Nirwana para contemplar o templo mais famoso de Bali, Tanah Lot, ao por-do-sol, quando ele parece flutuar no mar, pois é construído numa península, que com a de Mont Saint Michel, quando a maré sobe à noite e isola o templo com se ele estivesse flutuando na água.

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Jantamos no hotel, a comida, apesar de muito apimentada, estava deliciosa, aliás como toda a culinária da ilha, como a baiana, baseada em coco, tapioca, peixes, e muita pimenta…

No dia 28, domingo, demos uma volta pelo shopping que fica num parque perto do hotel, comemos num restaurante italiano (eles estão em todas as partes) e voltamos para o hotel para arrumar as malas e voltar a Manila. Há sonhos que vale a pena sonha e recordar…

Considerações gerais:

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Ainda que muito apressadas e superficiais, pelos poucos dias gastos em Bali, arrisco-me a fazer algumas apreciações sobre a nossa experiência balinesa, inspiradas no que vimos e conversamos com o nosso guia, um balines muito culto e objetivo nas suas informações.

Algumas são tão evidentes como a vida dos balineses é marcada pela devoção religiosa, em cada casa, negócio, enfim toda construção tem um altar logo na entrada, às vezes na calçada, onde se fazem oferendas no início do dia e por todo o transcorrer da jornada. O centro da vida comunitária é o templo, tudo é marcado pelo divino, todos os momentos da vida tem uma iniciação religiosa: o tempo, o espaço, a cultura.

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O próximo

“O estrangeiro é como um irmão que nunca encontramos”.
Ou encontramos morto numa praia deserta às centenas, procurando o direito à vida e a liberdade. Encontramos confinados em celas fétidas pela injustiça dos nossos preconceitos. Encontramos banidos dos aeroportos pelo nosso egoísmo e a burocracia do nosso bem-estar. Encontramos do outro lado dos muros que levantamos pelo medo de dividir o que é de todos. Encontramos enterrados nas fossas lamacentas do terror das guerras para usurpar, lucrar e mentir. Encontramos quando somos cúmplices da cobiça dos potentes que sujam, contaminam e tornam impossível a vida na terra.
O estrangeiro é sempre o irmão anônimo que não queremos ver a face, o próximo abandonado no caminho que nos agride com o seu sofrimento, o frágil, o velho, o doente, a mulher violentada, a criança maltratada, os indígenas pilhados de suas terras, os imigrantes rejeitados nas fronteiras da abundância.
O estrangeiro é um irmão que não queremos encontrar porque nos incomoda, nos acusa, no mais profundo do nosso ser, todas as nossas próprias mazelas, nos força a encontrar com o lado escuro de nós mesmos.

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Dignidade Humana

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Dignidade Humana

Para Cris e Gerson que nos ensinaram a sonhar com um mundo melhor, para as Brasilianas e, à Pastoral da Criança que nos dá régua e compasso para encontrar o caminho.

 

Há três anos que o tufão Ondoy passou por Metro Manila, destruindo e ceifando milhares de vida. Justamente, neste aniversário da catástrofe e dor fomos  participar da celebração da vida com a Irmã Terezinha  e visitar uma das milhares de famílias atingidas pelas inundações que deixaram tantos mortos e desabrigados e nos deparamos com essa estória.

ondoyA Família Austria

No dia 28 de novembro de 2010 a família Austria, composta de oito filhos, pai e mãe,  vivia abrigada embaixo de um viaduto à beira do rio Pasig, na  Mindanao Av,em Metro Manilaeles engrossam as estatísticas dos 42% dos filipinos que vivem com menos de U$2 por dia. Era um pouco mais do que isto que ganhava Jun, o pai desta família; P5000,00 pesos por mês, (U$125,00). Mesmo assim, Joy, a filha mais velha, havia entrado na faculdade de administração de empresas e Jun sonhava ver todos os filhos formados. Joy seria só a primeira a entrar na universidade, depois aos poucos, quando ela completasse os estudos e pudesse trabalhar para ajudar, viriam os outros, pois é o sonho de todo filipino, até o mais miserável deles, (e há tantos), que os filhos estudem e cheguem a universidade.O último filho da família havia acabado de nascer em maio, o oitavo, todos vivendo debaixo do viaduto com mais 30 famílias.

No dia 28 de novembro de 2010, as famílias que viviam embaixo do viaduto  foram varridas pelas águas do rio  em fração de minutos. Não houve tempo de pensar em nada, só sobreviver a fúria das águas. Jun,com heroísmo de pai, colocou à salvo toda família e continuou ajudando a outras que tentavam vencer a morte.

A família e tantas outras do viaduto do Rio Pasig sobreviveram, mas Jun morreu meses depois vítima de leptospirose, contraída na época da enchente.

No ano seguinte, após perambular por igrejas e acampamentos, as famílias foram trasladadas pelo governo para um conjunto habitacional em Montalban a duas horas de Metro Manila. Os Austrias, agora, sem o pai, apesar de protegida no cubículo construído pelo governo, não sabiam como viver sem o seu herói.

A mãe se desesperou e desapareceu, deixando Joy com sete irmãos menores com idades entre 17 anos a 5 meses de idade.

Joy abandonou a tão sonhada faculdade na metade do caminho, teria que cuidar dos irmãos sem saber como.

A Pastoral da Criança que já fazia um trabalho de assistência a essa população, começou a apoiar Joy com alguns alimentos e orientá-la no cuidado das crianças, mas a mãe não aparecia e era cada vez mais difícil sustentar aquela família que agora não tinha nem o pouco por dia do salário do pai para sustentá-la, nem o cuidado da mãe que havia se desequilibrado com a tragédia que os atingira.

Ano passado, um grupo de brasileiras, as Brasilianas, que começou a apoiar a Pastoral, foi visitar a comunidade transferida para Montalban, e se comoveu principalmente com a estória da família de Jun que estava sendo cuidada por uma menina de 20 anos que parecia ter 15. O olhar perdido, o corpo esquálido, Joy levava nas ancas o irmão mais novo, um menino de 2 anos que mais parecia um bebe de oito meses que sobreviveu à custa dos cuidados das voluntárias da Pastoral e do desvelo dessa irmã que jamais  abandonou os seus irmãos.

Montalban 001

Assim que um dos brasileiros do grupo soube da tragédia, prontificou-se a apadrinhar a família e enviar para eles por mês, não os P 5000,00  com que eles estavam acostumados a viver, mas P10.000,00 para que Joy pudesse voltar a faculdade e os menores pudessem ser cuidados por alguém, enquanto ela estivesse estudando.

Comunidade de Montalban – Celebração da Vida PCI

Um ano depois, voltamos para ver como estava Joy e seus irmãos e tivemos a grata surpresa de saber que a mãe, Mercy, tinha voltado e já estava trabalhando, vendendo verduras na rua. Joy voltou a estudar e está terminando os estudos ano que vem, e a outra irmã, que está esperando para também entrar na universidade, vai poder  também realizar o seu sonho.

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