Egipto

Aquelles bazares são velhos, decrepito, desmoronados, alguns d’aquelles estofos vulgares e grosseiros; aquellas joias não têm, talvez, o fino cinzelado, a delicada nitidez das ofevreries de  Paris; às vezes mesmo, um pesado e vil tecido inglez  das fábricas de Manchester estende a sua espessura burgueza entre a poética graça dos estofos arabes…
Não importa: o encanto é profundo. Da superfície de todas as coisas desprende-se um sonho scintilante, sereno, calado e prodigioso, que occupa o cerebro, vibra fortemente nos nervos – e vive-se, n’aquelles bazares assim iluminados e feericos, intensamente, n’uma alucinação, toda lenda maravilhosa e poetica do tempo dos Kalifas e das Mil e Uma Noites…  (in Notas de Viagem, Eça de Queiroz, 1920)
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Uma resposta para Egipto

  1. Celme disse:

    Grande livro. Adorei

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