O TEMPO e os tempos

O TEMPO e os tempos
Ao contrário do Ocidente,aqui no Oriente (Líbia) quem tece a manhã não são os galos, mas os muezins que do alto dos minaretes das centenas de mesquita, voltadas em direção a Meca, convocam em um canto lamentosamente estereofônico os fieis às primeiras orações.
Os galos, o sinos e o rumores das grandes cidades ocidentais

parecem ruídos distantes na minha memória. Aqui os “Bismilah

al-Rahman al-Rahim”soam cinco vezes ao dia, marcando o tempo da vida ancestral e imutável que começa a brigar com os tempos dos carros, dos celulares e dos home theatre globais.
Infinitos são os tempos do Ocidente, diante dos telões e telinhas das televisões, dos computadores, celulares, I pods, I phones, I pads… Aí de mim que já não encontro  mais o tempo da ternura.
“Miserere nobis” que só conhecemos os tempos das transmissões satelitais, dos time-tables dos aeroportos, dos ups and downs das bolsas de valores, dos intermináveis tempos das reuniões de cúpula, dos prazos para resolver o aquecimento global e fim das misérias, da fome, do tráfico de droga e de gente e da voracidade dos ricos.

Os tempos das estéticas das operações plásticas,da eternidade da juventude comprada em potes dourados de creme pegajosos e ilusórios, da ética supérflua dos grandes negócio, tempo da imortalidade garantida pela ciência mercantilista e dogmática como os tempos da religião sem Deus.

Anúncios
Esse post foi publicado em Ideias. Bookmark o link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s