A evacuação de brasileiros em Trípoli

Estes foram os comentários de guerra de um pai envolivo nos últimos acontecimentos na Líbia para um filho muito preocupado com a guerra…

Meu bravo,
já que você não quer fotios de destrução, aí vão umas palavrinhas, mas também nada construtivas…
Tudo começou em um 16 de fevereiro, em Bengazi, cidadezinha fajuta, mas aguerrida, no extremo leste do país, na Cirenaica, terra do Rei Idriss, que havia sido deposto por Kadafi, em 1969, e de tribos hostis às tribos da Tripolitânia, a segunda das très partes históricas em que se divide o país (a terceira sendo o Fezzan, a região desértica do centro-sul). Manifestação quase pacífica, por um advogado local que defendia presos políticos. Daí para o quebra-quebra, o incêndio de prédios públicos e a queima de pneus foi um pulo.
Dia 17, Kadafi participu de manifestação em Trípoli. Na verdade, liderou-a, para mostrar o apoio popular de que gozava. Não somos o Egito, nem a Tunísia – vociferou.
O que ele não esperava é que manifestantes, revoltosos ou vândalos resolvessem quebrar também Trípoli, e contestar suas autoridade.
A revolta se alastrou pelo país, coincidentemente em pontos estratégicos: refinarias e portos por onde se escoava o petróleo líbio. Jamais alguém ouvira falar das “importantes” cidades de Marsa Brega, Ras Lanuf ou Zawya. Só os ingleses, os franceses e os norte-americanos, os mesmos que, com seu “fogo amigo”, mataram e vêm matando miitares e civis, a favor e contra Kadafi.
Do dia 20 de fevereiro em diante, evacuação em massa. Aeroporto e porto de Trípoli viraram sucursais do inferno. A polícia líbia batia em magrebinos e subsaarianos com chicotes de aço, o “povo” celebrava o seu líder com disparos de metralhadora para o ar. As Embaixadas foram fechando uma a uma, logo que evacuados todos os nacionais.Agotra, é o que se vê. Perdem todos. Empresários, engenheiros, técnicos, foram todos embora. Os trabalhadores braçais, centenas de milhares, também. A produção de petróleo caiu 80 %. Começa a faltar gasolina. Começa a faltar comida. Um dia, faltará água.
Quem perde, como em qualquer guerra, é o povo. Quem ganha: os senhores do petróleo, as máfias de tráfico de seres humanos, os vendedores de armas. Não é muito diferente de outras guerras.
Um beijo,
Papai


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