Dia Internacional da Mulher

Minha porção mulher, que até então se resguardara É a porção melhor que trago em mim agora É que me faz viver

Infelizmente, a comemoração do DIM* é mesmo coisa de marca de meias finas ou cosméticos, eletrodomésticos ou flores. O prosaico mercado é que festeja com mais consumo de lixo embalado em luxo o seu grande sucesso de vendas…

E as mulheres, onde ficam nesta data? A maioria junta um bando de amigas e vai para um restaurante fazer muito barulho para esquecer que, apesar das lutas e dos sacrifícios de tantas, elas ainda são desrespeitadas, humilhadas, violentadas e infantilizadas por uma sociedade que além de machista é também consumista e transformou um evento de reflexão em uma festa tola.

Outras ainda se entristecem e relembram a situação feminina nas sociedades ditas contemporâneas: a discriminação salarial, as condições de trabalho indignas (quando há trabalho), a tão propalada violência contra as mulheres, em todas as classes sociais, a dupla jornada de trabalho, a solidão. E ainda, o desamor com que são tratadas pelos parceiros, o oportunismo de muitos deles em despejar sobre elas todas as responsabilidades familiares e ainda passar recibo “porque trabalha para sustentar a casa”, e a demagogia amorosa que mata a autoestima feminina e faz da mulher um ser humano pela metade em falsas declarações amorosas e promessa de um romantismo ultrapassado, enquanto a infidelidade desrespeitosa campeia solta e muitas delas, criadas no “ruim com ele pior sem ele” da cultura machista, não se sentem à altura de reagir, engolindo em seco e tragando lágrimas até o sacrifício da saúde e da própria vida.

Mas poucos e poucas são as que se lembram de que esta data é para recordar um dia 8 de março no fim do século XIX em que centenas de mulheres foram mortas numa fábrica, em Boston, nos Estados Unidos, por manifestarem contra as condições de trabalho e salários indignos. A fábrica foi incendiada por policiais na tentativa de obrigar as operárias a desocuparem o local. Logo depois, uma indignada população de mulheres começou a se organizar para lutar pelos direitos femininos em todo o mundo.

*Nome de uma marca de meias femininas francesas.

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