O próximo

“O estrangeiro é como um irmão que nunca encontramos”.
Ou encontramos morto numa praia deserta às centenas, procurando o direito à vida e a liberdade. Encontramos confinados em celas fétidas pela injustiça dos nossos preconceitos. Encontramos banidos dos aeroportos pelo nosso egoísmo e a burocracia do nosso bem-estar. Encontramos do outro lado dos muros que levantamos pelo medo de dividir o que é de todos. Encontramos enterrados nas fossas lamacentas do terror das guerras para usurpar, lucrar e mentir. Encontramos quando somos cúmplices da cobiça dos potentes que sujam, contaminam e tornam impossível a vida na terra.
O estrangeiro é sempre o irmão anônimo que não queremos ver a face, o próximo abandonado no caminho que nos agride com o seu sofrimento, o frágil, o velho, o doente, a mulher violentada, a criança maltratada, os indígenas pilhados de suas terras, os imigrantes rejeitados nas fronteiras da abundância.
O estrangeiro é um irmão que não queremos encontrar porque nos incomoda, nos acusa, no mais profundo do nosso ser, todas as nossas próprias mazelas, nos força a encontrar com o lado escuro de nós mesmos.

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